Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

terça-feira, 13 de março de 2012










sábado, 10 de março de 2012

Marrocos - Parte 3

 O anúncio da volta

              Quando comecei a estudar Turismo na faculdade e me deparei com a disciplina de Agenciamento e Transporte, lá em 2009 e início de 2010, acreditava que agente de viagens era alguém totalmente dispensável  em eras em que a Internet - e Google principalmente - te resolvem tudo. Acreditava que agências de viagens iam ser extintas só pelo fato da Internet existir. Não é? Pode ler aí o que você quiser, tem blogs e os mais diversos portais na Internet sobre o assunto. Foi assim que eu organizei 80% de todas as minhas viagens pela Europa. Com o tempo, fui mudando essa visão e há meses atrás, mudei totalmente, por causa do meu irmão: Vai pra Foz do Iguaçu, nunca viajou sozinho pra tamanha distância e nunca pegou um avião, veio me pedir ajuda para fazer uma compra de passagem aérea e não tava entendendo a promoção estipulada pela companhia. No final das contas, quem fez a compra fui eu e quem teve a preocupação toda fui eu - não só como boa irmã que sou - mas, por ser viajante experiente. 
              Agentes de viagens, seus lindos, você têm sim que existir! Devem existir pessoas mais familiarizadas com as regras e politicas das companhias aéreas, devem existir pessoas que sabem que você precisa de determinado documento ao qual você não faça idéia. Em suma: Devem existir pessoas para te dar o "pulo do gato", o "truco", a "manha" e facilitar o seu caminho e você poder desfrutar ao máximo do seu destino, assim como eu fiz com o meu irmão agora. Se o agente já visitou o destino, melhor ainda, é possível trocar experiências e dicas pessoais que com certeza vão agregar à viagem.
               Fiz esta breve reflexão, falei de família, para deixar claro que já estou no Brasil e que estou em Belo Horizonte agora. Tirei o pé da estrada, a cabeça da lua ainda não, mas é aqui que vou ficar pelo menos por um tempo. 
             A vida fora da estrada, a vida "normal", também anda uma presepada só e ando sem tempo e cabeça para postar o resto dos rascunhos feito nos Marrocos. 

Minha primeira noite em Marrakesh

               Minha primeira noite em Marrakesh foi péssima (depois do último vídeo do último post), dormi mal, ansiedade lá em cima, tive a sensação que alguém abriu a porta do meu quarto. Sei lá! Acordei  muito cedo (tipo 7 da manhã) pra tentar pegar um city tour que eu havia visto pela Internet , mas acabei mudando de estratégia. 
                Meu tempo até então era curto na cidade, 5 dias de viagem divididos entre Marrakesh e viagem ao deserto (digo "até então" porque dias depois perdi o avião e fiquei mais dois dias). Decidi procurar o departamento oficial de Turismo da cidade para saber quais opções teria de city tour. Encontrei a Secretaria de Turismo de Marrakech onde me orientaram a pegar o ônibus open top que saia da frente desse estabelecimento. O serviço é conhecimento em grande parte do mundo pelo site http://www.city-sightseeing.com/ , mas no caso de Marrakech quem opera é a Alsa (companhia de transporte terrestres da Espanha) com o seguinte city tour: http://www.alsa.ma/accueil/ln-en





           Depois desse caloroso passeio, fui me refrescar na piscina do hotel e o salva-vidas resolve achar a moça interessante e a convida pra sair. Titubeei um pouco, mas como eu não ando fazendo nenhuma maluquice - leia-se imprudência - resolvi atuar com meu espírito de que "tudo pode ser antropologicamente interessante" e resolvi ir pro date marroquino. Porém, a maluquice não foi exatamente sair com o salva-vidas do hotel, foi ser buscada de moto, sem capacete e andar no trânsito caótico da cidade. Como dizia uma cantora de uma canção que eu acho bem a minha cara: "To walk within the lines / Would make my life so boring /I want to know that I have been to the extreme / So knock me off my feet /Come on now give it to me /Anything to make me feel alive... it makes me feel alive".
              Resolvi analisar como é a paquera à moda marroquina. É legal perceber como uma pessoa se arruma, se prepara pra estar com alguém. Parecia ele estar com a roupa mais chique que ele tinha. Eu ali com a minha roupa de mochileira, uma camisa regata, bermudão e pochete, sem a mínima maquiagem, de sandália de dedo e o rapaz me tratando como uma princesa. Com cuidado, ele não deixou negociar o mínimo presente que eu quis levar pras amigas: os tais lenços. É, os lenços que eu trouxe, foram comprados por ele, que eu lá sei o nome. Andei pelo ninho de mercados, aqueles mesmo que eu fui aconselhada a não andar sozinha porque poderia me perder e se eu me perdesse, alguém ia me pedir dinheiro pra que pudesse me levar até a saída. Ele parava, cumprimentava homens em lojas, davam 3 beijos na face e eles apertavam minha mão. (Aff, será que devia tá querendo me mostrar?! Homem não adianta... ha-ha). 
             Tomamos café no terraço de um dos cafés da Praça Jemma El Fna, coisa típica de turista para poder tirar fotos de cima da praça. Ele sempre na frente, ele sempre pagava a conta, ele sempre falava com as pessoas, se eu fizesse o menor esboço de mulher independente, ele ficava furioso. Eu, hein?!
            Conversamos muito, em inglês, ele me contou sobre o islamismo, sobre suas irmãs que não usavam véu e como ele via uma relação homem-mulher. Uma frase em especial, me chamou a atenção foi que ele disse: "Love comes with time". Ele demonstrou realmente acreditar nisso. Que coisa não?! Fiquei quase a beira da crise existencial.

Vista da Jemma El Fna
                     Nessa noite, resolvi ser mais um pouco imprudente e ir de moto pro subúrbio de Marrakesh comer em uma lanchonete de um amigo do rapaz. (Imprudente assim né?! Antes de eu fazer um trem desse eu sempre penso mais ou menos assim: Tenho pernas pra correr? Tenho um mapa na mão? Então beleza...) Pode parecer estúpido, mas uma das coisas mais mágicas que vivi foi ir pro subúrbio de Marrakesh de moto com o salva-vidas do hotel. Eu vi a outra Marrakesh, a Marrakesh ainda mais pobre. Mais uma vez o moço - acho que ele realmente apreciou as minhas formas arredondadas - me encheu de comida. Um sanduíche de pão de sal, cheio de salada e carne. Bem preparado, caprichado, limpo, delicioso, - tudo que você menos espera de uma lanchonete no subúrbio de uma cidade na África. Você, desculpa, eu esperaria, já estava a postos com meu remédio em vista algum contratempo gástrico;

Meu "jantar romântico"

             Depois do "jantar", o rapaz me levou para o hotel, já eram mais de meia noite e eu cedo, pretendia acordar para ir ao deserto. A despedida foi simples: eu desci da moto, peguei os lenços, agradeci pela noite e pela gentileza e ele disse: "Thank you for the night, thank you for your smile". Me deu um aperto de mão e foi. Não, não achei estranho, achei foi ótimo. Não é falando mal dos brazucas não, mas se fosse, mesmo com zero de clima, estava parado insistindo pra algo rolar porque né? Pagou altos lenços, café, jantar e gasolina... alguma coisa tinha que acontecer. 

Fui dormir exausta, porém feliz. No dia seguinte me esperava uma longa jornada até o Deserto de Zagora.