Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Papo calcinha: Necessaire de maquiagem para mochilão

Papo calcinha.

O papo hoje é com as mochileiras. Todo mundo aqui deve estar acostumado com a Renata cara lavada, meio desleixada com o visual, mas gente eu já passei dos 25 anos, começando os dilemas femininos que oscilam entre o Natura Chronos e o Renew.

Resolvi abordar uma proposta diferente: fazer um vídeo um onde mostro como preparo a minha necessaire para o mochilão dando dicas de higiene e de restrições de bagagem em alguns aeroportos e sobre maquiagem. Maquiagem nunca foi meu forte como meus amigos mais próximos sabem, então foi feito para a pauta um breve compilado entre amigas dentre as fissuradas com make-up e as mochileiras, quando dei a sorte de ser os dois ao mesmo tempo.

Adorei a experiência desse momento mulherzinha, onde todas colaboraram com muito carinho enviando seus truques, dicas... foi muito 'tricô'! ha-ha

Indico também o blog Viagem para Mulheres, onde têm dicas para as que são realmente muuuuito mulherzinhas e adoram colocar a mochila nas costas e pé na estrada.

 Fiquem à vontade (e lindas) para viajar!



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mineira de Mala e Cuia, em nova fase





Pronto! 
A saga da viagem ao Marrocos já foi inteiramente contada após quase um ano. Agradeço aos meus tíquetes de embarque que me serviram de rascunho, onde pude conservar a memória dos fatos até o dia de ontem. 

          Quando morava em Barcelona e basicamente só estudava, tinha tempo para atualizar o blog periodicamente. Todo Domingo. Voltei para o Brasil em Julho de 2011 e a nova vida me demandou tempo, re-adaptação à cidade natal - Belo Horizonte - depois de 5 anos morando por aí. Com todos esses fatores, o tempo para o blog ficou escasso. E vamos combinar que a rotina coloca a criatividade em recesso.

          Fiz inúmeras viagens nesses 10 meses que não contei aqui: Fui à São Paulo no Salão do Turismo assim que meu voo aterrizou no Brasil, fui à Diamantina (MG) no Festival de Inverno acompanhada pela minha mãe, fui à Santos (SP) em treinamento, consegui finalmente ter um tempinho e ir à Búzios (RJ) rever os amigos que fiz ali em 2 anos e meio morando no balneário, peguei um avião para Salvador (BA) em plena Segunda-feira de Carnaval e ao Rio de Janeiro 76534 vezes só nesse semestre. 

         A previsão era 'quietar o facho' na capital mineira, terminar a faculdade em Turismo, mas houve uma mudança de planos: Decidi chutar o pau da barraca, mais uma vez, adotar o "Carmen San Diego Life Style" enquanto tenho idade pra isso e ir trabalhar em cruzeiro. No momento, estou aguardando a data de embarque para saber quando de fato vou deixar Belo Horizonte e pra onde irão me mandar para embarcar em um navio. Trabalharei para a Ibero Cruceros, companhia espanhola, então, é bem provável que me mandem para a Espanha de volta. Bem provável também que esteja trabalhando em águas brasileiras em Outubro/Novembro.

          Durante o embarque, que durará em torno de 9 meses, não haverá periodicidade de atualização. Impossível! A Internet é cara on board e o tempo é pouco para descanso e conhecer os países que passarei, mas assim que houver, encaminharei por e-mail para os amigos e no meu Twitter (@demalaecuia). Quem não é meu amigo pessoal nem seguidor no Twitter e deseja se deliciar com as presepadas em alto-mar, é só cadastrar o e-mail no canto direito.

           Enquanto aguardo a tal data, aproveito para colocar em dia aquelas coisas 'que nunca temos tempo para fazer', ler livros que 'nunca tenho tempo de ler', cozinhar receitas novas, receber amigos em casa, e  dedicar tempo ao ócio criativo. 

¡Tchau radar!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Marrocos - Parte Final

O final da viagem do Marrocos

Parte 6 e última!
A viagem ao Marrocos vai beirando seu 1 ano e ainda não terminei de postar sobre ela. Nem sobre a Alemanha, nem sobre as dicas de Manchester/Liverpool/Bournemouth, nem a série sobre Oriximiná alguns posts  'póstumos 5 anos' daquela aventura na Amazônia, nem nenhuma viagem que fiz durante esses 10 meses pós-retorno-ao-Brasil, conforme havia prometido. Me envolvi com o meu cotidiano e fui deixando. Bem, fica para uma próxima.

Aeroporto de Menara, Marrakesh, 03 de Junho de 2011

           Marroquinos não cansam de serem simpáticos, de dar atenção, alguns até chegam a ser muito malas de tão solícitos. Hoje fiz amizades em uma cafeteria no aeroporto. Nossa! Perguntei de tudo: de aluguel, de estudo, de salário, de como se cumprimenta. É, eu poderia passar uma temporada aqui, quem sabe né?!
        Quanto interesse em saber do Brasil e compartilhar sobre o Marrocos. Dei os meus últimos Dirhams à eles e eles foram super gratos. Essa simplicidade me constrange. O rapaz me passou seu e-mail, mas a garota, o seu telefone, porque não tinha e-mail. E ela me disse também que eu sou linda, ganhei meu dia, já que eu estou um caco, mas parecia bonita mesmo assim ou ela estava me enxergando com os olhos do coração. hehe

Aguardando o vôo para Madrid. 
A última noite na África

            Ontem, minha última noite, fui comer em um restaurante chique e paguei pra ver eu sozinha na praça Jemma El Fna. Tipo, eu levo em conta ao máximo que eles são um país pobre, que o preço é 3 vezes mais do que o real, que há muitos pedintes, mas não sou adicta às compras, então não tente me empurrar nada. Sendo meu último dia, minha inteligência cultural (leia-se tolerância) já estava no limiar: eu saí só para ver o movimento, ver gente e comer no tal restaurante chique que queria, isto quer dizer, paciência zero para levar em conta o que disse acima e encarar com simpatia os pedintes sufocantes e vendedores insistentes. Vou contar como foi desde que saí do hotel às 21h:

     Saí do hotel por volta das 9 da noite quando começava a escurecer e decidi ir à pé até a praça. Foram 20 minutos caminhando e à essa hora o trânsito ainda é bem caótico e tem muita gente na rua. Andar sozinha em Marrakesh é foda! O assédio é enorme, os olhares vem bombardeando de todos os lados. Uns são mais atrevidos e disseram 'nice ass' no meu ouvido, tão perto que pareciam que iam me beijar. Esse trajeto é de muito movimento turístico, vale lembrar que esse 'atrevimento'  de andar sozinha à noite, não é para a cidade inteira. Parecia todos uns meninos de 11, 12 anos em plena puberdade. 
      Chegando na praça, aquele caos para atravessar a rua: Carro, moto, ônibus, cavalo, cachorro, periquito, papagaio... tudo junto e misturado. Adotei a tática de atravessar a rua com um grupo de locais, lógico que se eles fossem atropelados eu também seria. ha-ha-ha.
        Entrei na praça e já fui direto no suco de laranja que tomei no primeiro dia. Veio um menino me pedindo para comprar uma coisa que não comprei, mas dei para ele um dirham. Eu não sou de dar esmola, isso cê não me vê fazendo no Brasil, mas é comovente aqui. O menino achou que eu dei dinheiro à ele para parar de insistir, mas com o pingo da paciência que me restava, disse à ele que poderíamos continuar a falar de Adriano, Ronaldinho, Kaká & cia, até que meu suco se acabasse. Terminei o suco e fui para a barraca 5, onde estava tocando a versão árabe de "You know I want you'' do Pitbull. Enlouqueci! Quis comprar o cd e chega a hora de pechinchar... O dono da barraca queria me vender um CD por 50 dirhams. De acordo com o que li, eles jogam o preço sempre umas 3 vezes mais. Dai começamos... Falei que pagava 20, ele disse que era original e blá blá blá. Me mostrou um segundo CD e disse que faria os dois à 100. Eu desconversei. Ele retrucou com ''maroccan price'', ''special price for you''. Atuei com simpatia, como me instruíram e disse que era uma brasileira muito bonita e que merecia desconto. Ele riu, outros homens começaram a se aproximar para ver o nosso diálogo. Continuamos a regatear e só comprei quando ele fez 2 por 50 dirhams. 
            O próximo passo foi ir para o restaurante chique porque queria ver odaliscas dançando. Antes que eu pudesse dar um alô ao garçom Abdul na barraca nº 1 que me atendeu no 1º dia, um rapaz me puxa pelo braço. Exatamente isso: me puxa pelo braço. Resolvi dar trela para contar no blog e eis que basicamente o diálogo decorreu assim, traduzindo do inglês:

-Da onde você é? Da Espanha?
-Não sou da Espanha, sou do Brasil.
- Brasil! Ah, Maradona!
- Maradona é da Argentina, amigo. 

A mão continua no meu braço e o rapaz começa a falar da Espanha e fala também para eu entrar na loja. Eu deixei bem claro que não queria comprar nada, estava indo comer. Ele disse que não era para comprar nada, era para ele me mostrar algo porque ele era 'berberie'. Entrei e ele disse que era para dar o cartão dele porque ele faz passeio no deserto. OK! Pensei eu, contato profissional. Ele começou a me mostrar fotos do deserto e falar do passeio. Mencionei que já o tinha feito, mostrei minhas fotos na máquina e que era para ele me dar o cartão dele que recomendaria a outros amigos. O que ele fez? Continuou mostrando as fotos dele falando de preço, para eu fazer o passeio. Aí sim, eu comecei a perder a paciência. 
Qual parte ele não entendeu? Eu fui falando 'OK, ok, me dá seu cartão que eu vou comer agora'. O sujeito começou a falar onde tinha um restaurante para comer. 

- Não obrigado, vou comer em outro.
- Mas esse tem 'good price'.
- Não quero, obrigada!
- Então, você pode comer, voltar e vamos a um bar berberie, tomar cerveja e ouvir canções berberies.
- Não, não posso, amanhã levanto cedo para ir embora.
- Não, mas a gente não vai demorar muito.
-Tchau, estou indo comer.

(Começa de novo a mostrar fotos) 
- Olha, eu sou Aladdin!  Tenho 27 metros de turbante. (Por São Jorge, esse cara acha que eu sou idiota???)

- (Sorriso amarelo).
- Tira uma foto comigo, é grátis.
- Não tenho mais memória.
- Apaga uma foto.
- NÃO! TCHAU!
- Que horas você volta?
- Não sei se volto e não quero ter hora. Tchau, solta meu braço????

Sufocada, fui em direção ao restaurante e mais uma pessoa me agarra pelo braço. Era uma mulher dizendo que ia fazer uma tatuagem de henna na minha mão, que era presente. Beleza, presente ou não, fui deixando ela fazer... E depois não era presente, como eu previa. Paguei 10 dirhams e ela sumiu na multidão.  Ela disse que era tatuagem para achar bom marido, se soubesse, tinha dado só as moedas e vazado. ha-ha-ha





Bom, como descrito, dá pra perceber o quão sutis eles são né?! Porém, é uma empreitada antropologicamente interessante de se viver, você mulher, sem TPM.


Comi bem no tal restaurante, vi as odaliscas, mas as fotos não ficaram boas para postar. Percebi que só a nata frequentava o tal estabelecimento. Homens de negócios entre outros turistas de 'ar fino'. Paguei 100 dirhams e como eu previa, não ia ter dinheiro para voltar de táxi. Voltei à pé mesmo, com atenção redobrada. Estava feliz, saltitante como uma gazela , saí dando esmolas com os últimos dirhams que tinha para mães com filhos nos braços sentadas pelas calçadas e vi um sorriso se abrir em cada uma delas ao falarem 'Merci'. Um coração apertado também. Pobres mulheres!








Na manhã do meu vôo, não tomei café no hotel, fui dar uma última volta pela cidade e também tomei o último chá de hortelã em um jardim de uma lanchonete. 

Chá de hortelã: Bebida tradicional marroquina

Para chegar ao aeroporto, peguei o ônibus (o mesmo que havia pegado para sair de lá no primeiro dia e que o ticket era ida-e-volta) e comecei a terminar toda essa história acima.

'Shokran' Marrocos!







quinta-feira, 3 de maio de 2012

Marrocos - Parte 5



No deserto de Zagora.

               Depois de atravessar o Oásis Draa, as horas intermináveis de 4 X 4 chegaram ao fim. Obviamente,  não ficamos sem comer este tempo todo, fomos levadas pelo guia à um restaurante de luxo no meio do nada. Aí fico pensando, se esse era de luxo mesmo, o que seriam os 'copo-sujo'. Para comer, foi um duelo com as moscas que insistiam em compartilhar da nossa comida. E baseado nisso, estou com a ideia de fazer um vídeo mostrando como eu monto uma necessaire de higiene feminina, principalmente nesses buracos que eu me enfio por aí. No final, comentarei sobre.


Alguns apetrechos para se proteger do sol, mais uma hora de camelo e chegamos no deserto de Zagora!


                                       


Uma noite no deserto

A noite foi realmente muito estrelada no deserto de Zagora. Não me lembro de ter visto um céu tão recheado de estrelas. Talvez quando estive no Porto Trombetas, no Pará, nas mesmas condições: Dormindo em uma barraca no porto à espera do barco.

Dormimos (eu e as outras loucas ) em uma tenda montada pelos beduínos.
A noite foi caindo e iniciou uma dor de cabeça fortíssima. Conforme o registro abaixo, a cara já tava péssima:


      Houve uma celebração envolta de uma fogueira, entre beduínos e turistas, da qual eu não participei, pois já estava exausta. A temperatura no deserto só começou a cair por volta das 2 da manhã, enquanto isso, já tinha tomado todo o meu Paracetamol e ido dormir do lado de fora da barraca. (A temperatura caiu juntamente com uma tempestade de areia, o que me fez então voltar para a tenda) 
        Isso mesmo, coloquei meu colchão na areia. O calor tava demais! Cheguei ao ponto de jogar água no meu corpo para conseguir dormir mais em paz. Imaginem a cena: Meu colchão fora da tenda, na areia, meu corpo molhado e olhando para aquele céu maravilhoso. Desatei a chorar compulsivamente, uma catarse quase. Dei uma disfarçada quando um dos beduínos veio me perguntar se estava tudo bem (da dor de cabeça). Ele me levou pra dar uma volta da areia, de mãos dadas, entre as dunas. Mas como tava achando aquilo entre esquisito e romântico demais, pedi pra voltar que queria dormir. Ele ficou mais alguns minutos comigo antes de voltar pra celebração. Esse foi o beduíno que mais conversei, tava cansada de falar inglês e como só ele falava espanhol, era bom falar com ele, até porque nenhuma das meninas que estava comigo entendia que eu tava falando que estava de saco cheio da frescura delas.

                    Ainda antes desses episódios de dor de cabeça, corpo molhado e beduíno me levar de mãos dadas pra andar nas dunas, eles levaram um berberie dinner pra gente! Era basicamente: Tangine (um cozido de legumes), Moroccan salad ( a minha salada preferida: tomate, cebola, pepino!), pães e uns molhinhos.

Depois, nos reunimos fora da barraca para tomar um whisky feito de uma erva deles lá. Parecia um chá, estava uma delícia.




         Pela manhã, levantamos cedo, eu já me sentia bem melhor da dor de cabeça e o sol já tava rachando a nossa cuca. 


O café da manhã foi igualmente gostoso com pães e alguma coisa para passar nele que lembrava uma margarina. Não houve café, mas como havia chá mate, meti um leite e ficou tudo bom. (Chá com leite é coisa de Inglês).
Na hora da volta, eu já tinha pegado a manha de sentar no camelo e foi mais tranquilo que da primeira vez.






                Antes de falar da volta para Marrakesh, vou abrir um 'kit kat' para contar da higiene. Não houve banheiro no deserto como já era de se esperar e as mocinhas que se virem nos 30. Malandro é o pato que nasce com os dedos grudados para não colocar aliança e Renata Eloá que nunca foi muito fresca. Em partes.

A minha necessaire permanentemente tem: absorvente, protetor diário (aquele absorvente pequeno), lenços de papel (mesmo que eu não esteja gripada), lenços umedecidos e um pequeno frasco com gel para limpar as mãos. Pela manhã no deserto, escovar o dente e levar o rosto foi com a água da garrafa (as tais duas francesas estavam me xingando pela manhã dizendo que eu tava desperdiçando água, isso, de duas uma: ou elas são porcas ou estavam sem água. Eu havia comprado litros extras justamente para não passar sede e fazer minha higiene. Fora que uma delas esqueceu o protetor solar, vou dar crédito pr'esse povo??!!) e para fazer número 1, minha amiga, atrás das dunas, daquele jeitinho agachada, com tempestade de areia entrando em todos os seus orifícios e jogando a urina pra cima de você mesma. Foi engraçado. Para a  sujeira e a higiene íntima, nada que alguns lenços umedecidos cheirosos e um absorvente de proteção diária não possam resolver temporariamente.

Essa é a minha dica!

            De volta ao ponto em que havíamos sido deixadas pelo guia, entrar na 4 X 4 ar- condicionada foi uma alegria que só! Paramos em um restaurante muito melhor que o primeiro, mas igualmente cheio de moscas, porém com a diferença de que havia uma piscina. Brasileira que sou, fui lá fazer a exposição da minha figura, de todas as minhas curvas e tomar bons drink refrescantes acompanhada do meu almoço. 



A chegada em Marrakesh, já deixei claro em outros posts como foi: Perdi meu avião. Pois é, eu me atrasei para o embarque devido a insistência das francesas chatas em pararem em mil lugares que já havíamos parado na ida. Tinha me calculado com margem grande de atraso, mas deu essa. Enfim!

Voltei pro hotel e dormi. No outro dia fui pensar em como sair da África.


sábado, 21 de abril de 2012

Marrocos - Parte 4

Marrakesh, 2 de Junho de 2011






“Un viaje despierta en mi lo mismo que siente una madre por un bebe insoportable, diarreico y nervioso: me importa un bledo lo mucho que me haga sufrir. Porque lo adoro.”

        O trecho que escolhi acima foi extraído do “Comer, Rezar e Amar” versão em espanhol, que foi o livro que escolhi para levar nessa viagem. O escolhi porque dentre muitos trechos que me identifiquei com a autora, esse foi o que mais definia essa tristeza que me inunda quando as coisas dão errado - eu perdi meu vôo de volta à Espanha - mas que mesmo assim não me impede de sentir aquela ânsia maravilhosa, diante do novo planejamento para o próximo destino. Não mesmo!

       Na beira da piscina  - do Ibis Marrakesh ao qual me instalei - pude constatar que a mulher brasileira exerce um fascínio sobre os homens do mundo inteiro. Acabei de comprovar isso não por possuir um biquíni característico carioca (também pudera depois de tanto tempo vivendo em solos fluminenses) e muito menos pelas curvas já que até o momento ouvi apostas da minha nacionalidades entre a inglesa e a italiana (?). Comprovei isso pela alegria: - Where are you from? - I'm from Brazil. Acreditem, o Brasil está com uma moral aqui do lado de fora. Durante esses dias no Marrocos, eu senti que quando eu falava que era do Brasil, algo mágico no semblante do interlocutor acontecia. Um fascínio bobo, quase infantil que seguia das típicas perguntas sobre samba e futebol. Algo diferente de falar que sou brasileira na Espanha, coisa que evito. Constatei pela cara amistosa que se abre ao falar do Brasil: “Brazil, oh!”. O argelino que eu conversava no deck me colocou pra falar no Skype com seu irmão, este na Argélia, de tão feliz.



       Cheguei do deserto ontem e uma das meninas que viajou comigo – a da Indonésia - era doida com pão de queijo, ela já foi ao Rio e deu mole de comer feijoada à noite e quase morreu de revertérios. Tinha também uma jornalista da Singapura que a cada parada tinha que sistematicamente avaliar o café e o banheiro. Isso não tem nada a ver, mas queria comentar.

Fiz mais vídeos ao longo do percurso - todos beeem amadores, claro! - e segue em ordem desde a estrada pelo Grande Atlas, passando pelo Aît Benhaddou (Patrimônio da Humanidade) até chegar ao deserto de Zagora dando uma palhinha de cima do camelo.



Estrada à Aît Benhaddou 

Chegando no Aît Benhaddou 

                                                                 
                                                                Descrições verossímeis (sic)

      O deserto foi algo que me tocou bastante. Porém até chegar lá, viajei cerca de 10 horas em uma 4 X 4 mais 1 hora andando até chegar ao acampamento beduíno.






O "Grande Atlas"



         Falar da minha experiência no Marrocos vai ser tão complexo quanto foi organizar a viagem. Organizar minha viagem foi além da questão logística óbvia de hotel, aeroportos, mapas, shuttles, mas principalmente lidar com questões adversas como clima, língua, culinária e cultura islâmica tornaram meu planejamento sensível. Esta última então nem se fala: Pro clima – protetor, pra língua – um mini-dicionário de francês, pra culinária – Fortasec … e pra cultura? Não vim para um país islâmico para ofender à ninguém e tampouco para ser mal interpretada. Como proceder?
Acho interessante a parte em que a cada viagem melhoro em um ponto e no mesmo instante surge uma demanda impensável anteriormente. Tenho o costume de sempre antes de viajar imaginar todos os problemas que poderia ter e já ter em mente pelo menos umas 3 alternativas de como sair dele. (Mas impressionante como ainda não             achei a solução pra deixar de perder vôos! ha-ha)

'Ah, Renata, mas como prever problemas?' Uai, auto-conhecimento. Eu sei onde dói em mim. Sistemática que sou, tenho uma lista com as minhas principais falhas em viagens (Pontualidade nos aeroportos nem se fala!) Imagino problemas normalmente baseados na minha personalidade e no meu bem estar físico e mental. Falando assim, parece bobagem, mas em vocabulário bem chulo: “Quem como prego, sabe o fiofó que tem.” Se eu ver que eu posso bem, senão, bato em retirada.
Imagino também os problemas baseados nas diferenças culturais. Prestem bem atenção: É importante o estudo prévio do cenário de um país. Senão, você vai vir pra cá com SEUS OLHOS e não há uma busca empática em compreender como as coisas são e porque são no destino. Estou falando tudo isso depois de 2 meses de preparação para ficar quase uma semana no Marrocos e pude constatar. Tem até uma oração que eu lembrei quando estava aos prantos de emoção no deserto: “Quero olhar o mundo, PAI, com os olhos cheios de amor e ver teus filhos como tu mesmo os vê...”




Mais casas de "berbérie"



Curvas sinuosas
         Não dá pra entender o porque de algumas coisas, algumas atitudes do povo marroquino se não procurasse me informar o quanto antes. A minha preparação constituiu em ler cerca de 50 sites diferentes, conversar com quem já veio, conversar com mulheres que andam sozinhas por aqui, busquei comunidades na Internet sobre o assunto e tive a benção de conhecer através do blog, um marroquino que fala português que se encarregou de desmistificar o meu destino. Juro que com essa especulação toda sobre tráfico de mulheres e ser trocada por camelos, tive medo. Das amigas mulheres que conversei, todas absolutamente, disseram para eu não vir sozinha, pois seria absolutamente perigoso. O fato é que eu não desisti frente à tanta pressão e eis que estou aqui. Busquei pessoas do sexo feminino que haviam estado aqui sozinhas para me darem suas impressões e recomendações. Não haveria de ser Renata Eloá a primeira a querer ir sozinha pro Marrocos. Algumas mulheres fora determinantes na construção do planejamento: A Poliana, brasileira que tem noivo no Marrocos e sempre vem; a Rita que é portuguesa e mora aqui e uma agência chamada AMO-TE MARROCOS formada por 3 portuguesas que são 'designer de viagens' (um ''kit kat'': adorei esse conceito).


          Tudo isso me proporcionou mais confiança e sem os disse-me-disse de quem nem veio, mas acha que eu não devia ir porque anda vendo O Clone. Eu acredito que seja uma questão de como interpretar, se você não conhece, você vai julgar à sua maneira baseada em mitos e estereótipos geralmente criados por uma mídia cruel – principalmente quando se trata de países islâmicos. Porém, a partir do momento em que você busca entender, a coisa muda de figura. Bom, pelo menos comigo a coisa funciona desta maneira.



         Pra fechar este post, gostaria de expor duas frases que me marcaram muito na viagem. Elas foram ditas por 2 homens diferentes que conheci. “Take your time” disse o beduíno e “Love comes with time” disse o salva-vidas do hotel - como disse no post anterior, tive um date. Nos dois momentos – contarei em uma outra hora – chorei compulsivamente. Não me contive, foi mais forte. Sofri uma catarse – diria uma ex-professora da UFF em aulas de teatro grego – vivi momentos catárticos nesse país, que culminaram em uma noite estrelada no deserto de Zagora.

sábado, 10 de março de 2012

Marrocos - Parte 3

 O anúncio da volta

              Quando comecei a estudar Turismo na faculdade e me deparei com a disciplina de Agenciamento e Transporte, lá em 2009 e início de 2010, acreditava que agente de viagens era alguém totalmente dispensável  em eras em que a Internet - e Google principalmente - te resolvem tudo. Acreditava que agências de viagens iam ser extintas só pelo fato da Internet existir. Não é? Pode ler aí o que você quiser, tem blogs e os mais diversos portais na Internet sobre o assunto. Foi assim que eu organizei 80% de todas as minhas viagens pela Europa. Com o tempo, fui mudando essa visão e há meses atrás, mudei totalmente, por causa do meu irmão: Vai pra Foz do Iguaçu, nunca viajou sozinho pra tamanha distância e nunca pegou um avião, veio me pedir ajuda para fazer uma compra de passagem aérea e não tava entendendo a promoção estipulada pela companhia. No final das contas, quem fez a compra fui eu e quem teve a preocupação toda fui eu - não só como boa irmã que sou - mas, por ser viajante experiente. 
              Agentes de viagens, seus lindos, você têm sim que existir! Devem existir pessoas mais familiarizadas com as regras e politicas das companhias aéreas, devem existir pessoas que sabem que você precisa de determinado documento ao qual você não faça idéia. Em suma: Devem existir pessoas para te dar o "pulo do gato", o "truco", a "manha" e facilitar o seu caminho e você poder desfrutar ao máximo do seu destino, assim como eu fiz com o meu irmão agora. Se o agente já visitou o destino, melhor ainda, é possível trocar experiências e dicas pessoais que com certeza vão agregar à viagem.
               Fiz esta breve reflexão, falei de família, para deixar claro que já estou no Brasil e que estou em Belo Horizonte agora. Tirei o pé da estrada, a cabeça da lua ainda não, mas é aqui que vou ficar pelo menos por um tempo. 
             A vida fora da estrada, a vida "normal", também anda uma presepada só e ando sem tempo e cabeça para postar o resto dos rascunhos feito nos Marrocos. 

Minha primeira noite em Marrakesh

               Minha primeira noite em Marrakesh foi péssima (depois do último vídeo do último post), dormi mal, ansiedade lá em cima, tive a sensação que alguém abriu a porta do meu quarto. Sei lá! Acordei  muito cedo (tipo 7 da manhã) pra tentar pegar um city tour que eu havia visto pela Internet , mas acabei mudando de estratégia. 
                Meu tempo até então era curto na cidade, 5 dias de viagem divididos entre Marrakesh e viagem ao deserto (digo "até então" porque dias depois perdi o avião e fiquei mais dois dias). Decidi procurar o departamento oficial de Turismo da cidade para saber quais opções teria de city tour. Encontrei a Secretaria de Turismo de Marrakech onde me orientaram a pegar o ônibus open top que saia da frente desse estabelecimento. O serviço é conhecimento em grande parte do mundo pelo site http://www.city-sightseeing.com/ , mas no caso de Marrakech quem opera é a Alsa (companhia de transporte terrestres da Espanha) com o seguinte city tour: http://www.alsa.ma/accueil/ln-en





           Depois desse caloroso passeio, fui me refrescar na piscina do hotel e o salva-vidas resolve achar a moça interessante e a convida pra sair. Titubeei um pouco, mas como eu não ando fazendo nenhuma maluquice - leia-se imprudência - resolvi atuar com meu espírito de que "tudo pode ser antropologicamente interessante" e resolvi ir pro date marroquino. Porém, a maluquice não foi exatamente sair com o salva-vidas do hotel, foi ser buscada de moto, sem capacete e andar no trânsito caótico da cidade. Como dizia uma cantora de uma canção que eu acho bem a minha cara: "To walk within the lines / Would make my life so boring /I want to know that I have been to the extreme / So knock me off my feet /Come on now give it to me /Anything to make me feel alive... it makes me feel alive".
              Resolvi analisar como é a paquera à moda marroquina. É legal perceber como uma pessoa se arruma, se prepara pra estar com alguém. Parecia ele estar com a roupa mais chique que ele tinha. Eu ali com a minha roupa de mochileira, uma camisa regata, bermudão e pochete, sem a mínima maquiagem, de sandália de dedo e o rapaz me tratando como uma princesa. Com cuidado, ele não deixou negociar o mínimo presente que eu quis levar pras amigas: os tais lenços. É, os lenços que eu trouxe, foram comprados por ele, que eu lá sei o nome. Andei pelo ninho de mercados, aqueles mesmo que eu fui aconselhada a não andar sozinha porque poderia me perder e se eu me perdesse, alguém ia me pedir dinheiro pra que pudesse me levar até a saída. Ele parava, cumprimentava homens em lojas, davam 3 beijos na face e eles apertavam minha mão. (Aff, será que devia tá querendo me mostrar?! Homem não adianta... ha-ha). 
             Tomamos café no terraço de um dos cafés da Praça Jemma El Fna, coisa típica de turista para poder tirar fotos de cima da praça. Ele sempre na frente, ele sempre pagava a conta, ele sempre falava com as pessoas, se eu fizesse o menor esboço de mulher independente, ele ficava furioso. Eu, hein?!
            Conversamos muito, em inglês, ele me contou sobre o islamismo, sobre suas irmãs que não usavam véu e como ele via uma relação homem-mulher. Uma frase em especial, me chamou a atenção foi que ele disse: "Love comes with time". Ele demonstrou realmente acreditar nisso. Que coisa não?! Fiquei quase a beira da crise existencial.

Vista da Jemma El Fna
                     Nessa noite, resolvi ser mais um pouco imprudente e ir de moto pro subúrbio de Marrakesh comer em uma lanchonete de um amigo do rapaz. (Imprudente assim né?! Antes de eu fazer um trem desse eu sempre penso mais ou menos assim: Tenho pernas pra correr? Tenho um mapa na mão? Então beleza...) Pode parecer estúpido, mas uma das coisas mais mágicas que vivi foi ir pro subúrbio de Marrakesh de moto com o salva-vidas do hotel. Eu vi a outra Marrakesh, a Marrakesh ainda mais pobre. Mais uma vez o moço - acho que ele realmente apreciou as minhas formas arredondadas - me encheu de comida. Um sanduíche de pão de sal, cheio de salada e carne. Bem preparado, caprichado, limpo, delicioso, - tudo que você menos espera de uma lanchonete no subúrbio de uma cidade na África. Você, desculpa, eu esperaria, já estava a postos com meu remédio em vista algum contratempo gástrico;

Meu "jantar romântico"

             Depois do "jantar", o rapaz me levou para o hotel, já eram mais de meia noite e eu cedo, pretendia acordar para ir ao deserto. A despedida foi simples: eu desci da moto, peguei os lenços, agradeci pela noite e pela gentileza e ele disse: "Thank you for the night, thank you for your smile". Me deu um aperto de mão e foi. Não, não achei estranho, achei foi ótimo. Não é falando mal dos brazucas não, mas se fosse, mesmo com zero de clima, estava parado insistindo pra algo rolar porque né? Pagou altos lenços, café, jantar e gasolina... alguma coisa tinha que acontecer. 

Fui dormir exausta, porém feliz. No dia seguinte me esperava uma longa jornada até o Deserto de Zagora.