Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

domingo, 26 de junho de 2011

Marrocos - Parte 2

             A construção de um post, meu caros leitores, queridos amigos, estimados viajantes e prezados fuxiqueiros, é um parto. Não que eu saiba o que é um parto para me apropriar desse ditado e aplicar aqui, mas é o que eu imagino que seja quando chegar a minha hora de ser mãe: ô trem sufrido, sô!
             Na próxima semana eu darei uma escapa de final de semana até Manchester e Liverpool. Serei visita, gente! Terei uma casa pra ficar, alguém pra me buscar e passear comigo. Por isso o planejamento deu pra ser fast: Não tive que pensar em quase nada sozinha. Aliás, eu não pensei em nada sozinha, até a companhia de ônibus/trem mais barata me foi indicada (primeira dica low cost do post sobre essa viagem, ha-ha-ha).
            A seguir, antes que permaneçam com o atraso os posts, continuarei contando sobre o Marrocos e espero que tenham se divertido com o meu mau-humor crônico em viagens e revolta particular com os serviços. O atraso até veio a calhar: Posteriormente a minha volta ao Brasil terei muito o que postar e re-deliciar com os detalhes de cada viagem, o que eu não gosto é perder o feeling que a memória fresca me proporciona. Enfim, os inúmero versos em brancos de mapas e vouchers da viagem estão aí como rascunho.

Chegada à África

            Sinceramente, não podia ter outro sabor ao aterrizar na África: uma felicidade quase infantil. Antes do avião aterrizar, eu já olhava com mais atenção pela janela para observar o que havia de novo. Quando o avião pousou e eu desci, era como uma criança que ao contrário de um brinquedo novo, eu estava dentro de um continente novo. Ria à toa, queria tirar foto de tudo e como qualquer turista ocidental normal, achava graça da escrita árabe.


Menara: Aeroporto Internacional de Marrakech

Árabe, Francês e Inglês
             Na imigração ocorreu tudo bem, os oficiais são até simpáticos, as filmagens são proibidas e nada de tirar foto. Aliás, tirar foto é algo com que se há de ter muito cuidado, como você pode ver abaixo:

              Como boa turista, fui logo começando com os registros e tentei tirar a primeira foto decente em Marrakech, mas os guardas me censuraram. Nesse momento, acreditei que não pudesse tirar foto do lugar, mas ao final da viagem concluí que o problema era porque eles iam sair da foto. Não é permitido tirar foto de policiais (rá, eu consegui filmar um bem de perto às escondidas e vou conseguir postar a imagem aqui.). Antes de eu "sair aí pra fora" eu passei no balcão de informações turísticas. Que serviço, Senhor! Meninas bem arrumadas, bem maquiadas, simpáticas, competentes e com inglês fluente. Tudo que eu queria no meu país na Copa de 2014. ha-ha-ha. Antes de contar como foi o meu primeiro e temido deslocamento dentro do Marrocos, preciso abrir um "Apêndice" e contar algumas coisas: O pré-viagem.

Apêndice

              A preparação para ir ao Marrocos foi, sem sombra de dúvidas, a mais trabalhosa até então por diversas razões. Primeira delas: Um país islâmico, eu sou mulher e nenhuma amiga minha me disse pra ir sozinha. Olha que foram pelo menos umas 4, 5. A princípio, passou pela minha cabeça a desistência da viagem ou fazer alguém ir comigo. De duas, as duas: Da viagem, eu não ia desistir, dois, eu não ia fazer alguém ir comigo sem passar pelo meu-critério-sistemático-de-companheiro-de-viagem já mencionado em outros posts. Viajar comigo não é fácil, já deixei isso claro. Eu sou uma chata, uai. Por exemplo, uma situação: Se você viaja comigo, eu também vou me sentir responsável pelo seu bem-estar por duas razões: eu sou ser humano, mulher ainda por cima, movida por instintos maternos; segundo, se você passa mal porque não se cuida adequadamente em determinadas condições (calor excessivo, frio extremo), por negligência, desculpem-me pelo termo, mas você FODE com a minha viagem. Porque em seguida, eu vou cuidar de você com todo amor de mãe - a menos que você deixe explícito: me abandone aqui e continue com a sua viagem - mas vou ficar P. da vida. Ao longo dos posts vou citar o exemplo de duas francesas que simplesmente me irritaram durante a viagem ao deserto com a negligência consigo mesmas e prejudicaram o grupo. 
                Decidi que ia sozinha pro Marrocos e pronto. "Só" precisava saber como fazê-lo. Bom, não foi eu quem queimou o sutian, então, com certeza, não ia ser a primeira mulher a querer ir sozinha para o Marrocos. A preparação foi de cerca de dois meses e envolveu os seguintes:

  • Encontrei uma espécie de agência em que as "designers" de viagem são de Portugal, mulheres e elaboram viagens personalizadas. Não uttilizei o serviço, mas troquei idéia com elas. A empresa chama "Amo-te Marrocos".
  • Procurei no Orkut e Facebook, comunidades de Brasileiros no Marrocos/Marroquinos no Brasil e encontrei uma garota brasileira mora na Europa, é noiva de um marroquino e vai sempre pra lá. Ela me deu dicas de como me portar, me vestir, o que fazer e não fazer. Foi quem me tranquilizou e me explicou que nem sempre seu noivo a acompanha nos passeios e como ela faz.
  • Aproveitando que a Internet é realmente uma maravilha, acabei achando o blog do João Leitão (não entendi quem é o João ainda, mas ele dá super atenção pra galera nos canais que ele tem, em português - ele é de Portugal - e viaja horroreeees. ha-ha-ha) e a página que ele tem no Facebook que é João Leitão Viagens.
  • O João tem uma irmã que mora no Marrocos, a Rita, e o blog dela também dá dicas para mulheres viajarem sozinha. Ela tem um blog contando de sua experiência : http://www.darrita.com/marrocos/
  • Como se não bastasse, um marroquino que estuda português e Turismo encontrou meu blog e me adicionou no FB. Conversamos muito pelo MSN durante dois meses. Não tive a oportunidade de conhecê-lo porque ele vive em Rabat, mas ele foi muito gentil em todos os momentos de dúvida e angústia na minha preparação.
               Depois dessa parte em que eu tive que resolver o problema do medo de ir sozinha, comecei a ler sobre o lugar, o que ver, os costumes, a cultura em si e as experiências alheias. O Trip Advisor foi de grande utilidade.
               Pra quem não sabe, o Trip Advisor é exatamente um conselheiro de viagem: Os turistas relatam suas experiências em diversos destinos e serviços (hotéis, restaurantes) e as pessoas vêm até o site em busca de referências de determinado lugar/estabelecimento. Por exemplo, um hotel que vai parar no Trip Advisor e o cliente descreve uma bad experience. Imagina aquele detalhe que não foi revisto pela manutenção do hotel ou o cabelo ou mosca em um prato de restaurante? Aliás, nem precisa chegar nisso, só a falta de simpatia no atendimento basta. Vejam um exemplo de como funciona, procurei por restaurantes em Búzios (RJ): http://www.tripadvisor.com/Restaurants-g303492-Buzios_State_of_Rio_de_Janeiro.html
Para o Marrocos, o Trip Advisor foi especialmente útil nas dicas de como tratar de preço com taxistas, com os vendedores nos souks , generalidades de como se manter esperto sendo turista.
                Pra fechar esse "apêndice", há alguns outros sites que foram igualmente úteis:
          Bom, de que vale a preparação se não há dinheiro? Não me lembro se já mencionei isso por aqui, acho que sim (minha cabeça anda péssima), mas eu sempre compro dinheiro ANTES de ir para o país. Todo mundo que eu conheço compra no aeroporto. Se alguém faz como eu, por favor, se manifeste. Eu compro antes por uma razão: No aeroporto há taxas e o câmbio nem sempre é tão vantajoso para o turista. A moeda do Marrocos é o dirham marroquino (MAD) e a proporção que todo mundo usa lá para ilustrar ao turista quanto vale o produto da compra é de 1 euro para 10 dirhams (abaixo mostrarei uma situação prática).  Eu comprei 13 dirhams por 1 euro, num total de 1500 dirhams, não cheguei a pagar nem 150 euros! Se tivesse deixado para comprar no aeroporto, seria 1 EUR = 11 MAD, pelo que me informei. Ah, e sempre levo o recibo da compra comigo, pelo menos até entrar no país, caso haja problemas.

O primeiro e temido deslocamento dentro de Marrakech

              Por mais que me prepare, eu não consigo subestimar o que eu ainda não conheço a ponto de ser tão autoconfiante. O primeiro deslocamento dentro do país novo, eu sempre acho tenso. Para Marrakech, eu já tinha separado dinheiro do táxi, com margem pra especulação turística dos taxistas pra pelo menos conseguir chegar no hotel e baixar a guarda de novo. Já tinha até um mapa da cidade na mão que baixei na Internet, feito desenhos e marcado com a Piloto. No final das contas, peguei o ônibus que sai do aeroporto (20 dirhams one way, 30 dirhams roundtrip) e fui pro centro.
               O que ainda não mencionei é que encontrei com uma brasileira conhecida (não foi coincidência) na hora do embarque então voamos juntas. Ela estava acompanhada de um amigo espanhol e fomos juntos até à Praça Jemma El Fna - Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e local da explosão que aconteceu em Abril que ainda não se sabe que se a origem foi criminosa ou um simples botijão de gás explodiu, mas que já se encarregaram de dizer que foi atentado.
              Fomos pra Praça Jemma El Fna porque a senhorita turismóloga dona desse blog botou pilha: Havia lido que àquela hora havia barracas de tudo que é tipo de comida e a fumaça dos cheiros das mesmas exalava pra sentir de longe. A praça é uma confusão de gente; turistas, vendedores, encantadores de serpentes, senhoras tatuadoras de henna, homem com macaco no braço, crianças vendendo coisas, idosos pedindo esmolas e motocicletas. Não sei o que deu em mim, mas eu botei o pé naquele lugar, comecei a dançar ainda com mochila nas costas, a me divertir e estava me sentindo em casa. Todos os dias em que eu estive em Marrakech, estive na Jemma El Fna.
              Jemma El Fna é uma confusão mesmo, pode apostar, gente de todos os lados, os vendedores te cercando, os pedintes falam inglês e espanhol (a população marroquina além do árabe falam o francês como língua administrativa), os donos das barracas te disputando pra comprar um suco de laranja (eu tomei na barraca nº 14), música de boate em árabe tocando além da música típica local. Uma zona. Povão. Muvuca. Eu gostei,umas eu tenho certeza que tinha gente que ia detestar. ha-ha.

             
                Depois do primeiro suco de laranja - que também já tinha lido que era imperdível - fomos comer numa das barracas. Arraaaaaam. Como eu também já não estava confiante na higiene local, também pedi recomendação de uma barraca no Blog do João e comi na barraca de nº 1 da Aischa. Comi bem, não passei mal e não paguei caro, falando em dirhams. Valeu João!


O óculos é meu, mas o portator é um atendente da barraca (nº 1) da Aischa



               Depois do jantar típico, fomos dar mais algumas voltas pela praça, mas já estava ficando tarde. Chegamos em Marrakech era por volta de quase 8 da noite. Eu, esgotada, fora de casa desde 10 da manhã, ainda tinha que achar meu hotel. Pelo meu mapa, não era longe, de acordo com a mulher da informação do aeroporto, era. Lembrando que eu sou mineira e curto bater perna mundo a fora, não confiem no meu perto. De qualquer forma, decidi pegar um táxi pois já eram mais de 11 da noite.
               Voltando àquele assunto de negociação dos preços, 1 euro é sempre 10 dirhams fora na casa de câmbio pelas ruas de Marrakech. Todos os marroquinos têm isso muito claro e vão sempre te falar assim quando você achar algo caro: "Mas são só tantos euros!". Cuidado. É barato, mas eu detesto que me explorem. Se for tomar um táxi dentro da cidade ( o petit -taxi ), eles primeiro jogam o preço lá em cima. Li bastante sobre as negociações no Marrocos e o preço que eles te dão, pode chegar até 3 vezes o real. Regatear faz parte do estilo de venda dos países árabes. Nesse meu primeiro táxi, o condutor pediu 50 dirhams (5 euros), não é nada pra gente nem em euros nem em real, mas estão te "furando ozóio", sendo que eles fazem por 20 dirhams. Negociar não é brigar, gente. Seja simpático, fala que vai a pé porque você sabe onde é e sabe que não paga isso tudo. Turista bem informado, paga sempre o mais barato, lembrem-se disso. Nessa ocasião, além de ser simpática, brinquei, falei que sou do Brasil, que sou amiga do Fenômeno e nada do cara abaixar o preço, mas também não me tratou mal, entrou na brincadeira. Dei as costas, continuei conversando com a brasileira e o espanhol que estavam comigo. Ele veio atrás de mim uns 5 minutos depois. 40 dirhams. Eu disse não e continuei onde estava sem preocupação em pegar táxi. Ele foi até mim de novo. 30 dirhams. Eu insisti no 20 dirhams. Eu paguei 30 dirhams no meu primeiro táxi, mas só porque o cara argumentou que já eram meia-noite. Ai eu não tive outra alternativa a não ser levar em conta a "bandeira 2".
               O hotel que fiquei foi em um da Rede Accor, na categoria Ibis que é uma acima do Formule 1 e do Etap (super econômicos - Etap pelo que eu saiba não há no Brasil) e uma abaixo da categoria Mercure. O preço achei muito bom pelo que o hotel me oferecia: piscina, uma varanda no quarto e sem café da manhã. Não costumo pagar 39 euros ( mais ou menos 100 reais) em uma diária e fui pra lá porque era um hotel que já conhecia o estilo e preferi algo "ocidental" por enquanto. Pra fazer uma comparação, o Etap em Villedecans que está na região metropolitana de Barcelona, custa 35 euros - última vez que estive lá em Agosto passado - a diária sem café da manhã e nem telefone no quarto tem. Piscina, só se for no seu sonho, baby. Já o Ibis que fiquei em Marrakech era do lado da estação de trem e perto do centro.
                Pra fechar o dia, fiz um vídeo no hotel (a gravação ficou péssima, mas o que conta é o conteúdo e emoção da viagem né? ha-ha), porém foi interrompido pelo meu vizinho de quarto que bateu na minha porta e disse: "You are making noise". Continuei fazendo, mas sussurando, o segundo vídeo ficou pior ainda e as informações contidas neles não fazem falta que eu poste, já estão aqui.



Marrakech, 30 de Maio, 1h da manhã, fim do primeiro dia de viagem.            

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Marrocos - Parte I

Cof, cof, cof... vamos tirar a poeira desse trem né?

               Escrevi 6 folhas de rascunho ainda no Marrocos (não que eu ande com folhas para este fim, mas saio escrevendo em versos de cartão de embarque, mapas e afins quando a inspiração bate), mas como passar à limpo exige igualmente um esforço da minha parte, deixei pra fazer só agora que estou na Inglaterra. Estarei na Inglaterra por 3 semanas estudando para dar um refresh no meu inglês. A cidade se chama Bournemouth e está no sul do Reino Unido.

               A proposta dos posts do Marrocos foi mesclar vídeo e escrita, além das fotos que são de praxe. Eu não editei nenhum vídeo porque não sei e no momento, minha inteligência está dispensando esse conhecimento. Quero chegar ao ponto de fazer vídeo mais elaborados e designers mais sofisticados para meu blog, mas não será por agora. Qualquer palavrão, erros de português ou mescla de idiomas, fazem parte do show, da minha personagem desse blog: uma mineira de mala e cuia. A personagem sou eu, Renata Eloá, logicamente, mas ao me encontrar em outros ambientes não se iluda, eu posso passar de descolada para polite em um par de minutos. A personagem, digamos, essa minha face, mostra o que pode dar errado e o que pode dar certo em uma viagem (principalmente o que pode dar errado e como isso fere meu orgulho como profissional do Turismo).

          O primeiro vídeo que postarei faz referência à minha primeira frustração na viagem. Só que depois de tantas frustrações em viagens, eu já percebi que comigo a coisa funciona assim: algo trágico acontece e no fim algo mágico também. Graças a Deus.


                Eu já fiz esse adendo em outros posts com certeza, mas é bom lembrar que essa frustração de quando dá algo errado na minha viagem tem mais haver com a minha vaidade em querer a excelência como profissional do que com eu achar que sou uma azarada. Eu até brinco que eu tenho uma "zica", que tudo pode dar errado comigo. Porém esse "tanto de trem" que já deu errado comigo, já me deu inúmeros meios de safar meus futuros clientes de viagens frustradas. Eu me trato como minha própria cliente, faço meu planejamento como acho que deveria para um cliente sair satisfeito e se você for me visitar na minha casa é provável que você perceba que eu organizo a sua chegada como se fosse a de um pax (pra quem não sabe PAX ou pax significa "passageiros" na area de Turismo, em produção de eventos é o mesmo que "people at table", de um modo geral substitui o termo "participantes", Wikipédia).


Os ditos rascunhos que fiz durante a viagem, os fiz depois do dia em que perdi meu vôo de volta pra Espanha ( é, eu perdi um vôo pra sair da África e fiquei em Marrakech mais dois dias ) e postarei assim que puder (tenho 32 lessons de inglês por semana, não é tão easy assim minha vida em Bournemouth), por enquanto, se divirtam com meu mau humor crônico. ha-ha-ha.