Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

My arrival in Europa!

Esse texto foi escrito na data mencionada.
Tenho muitas coisas para postar, mas vamos por ordem cronológica né?

"Portugal, 24 de Agosto de 2010 – Aeroporto de Lisboa

Não sei você. Aliás, não sei você aí que também curte dar os seus rolés pelo mundo.
Eu, costumo hoje, depois de viajar tanto e de tudo que é meio de transporte, imaginar a fuça de quem vai sentar do meu lado. É legal.
Não sei você - de novo - mas eu adoro conversar com gente estranha. (rs!) E já conheci pessoas que até hoje são minhas amigas de maneiras muito peculiares, digamos.

Nesses tempos em que eu ando excessivamente comunicativa aos quatro ventos, falando pelos cotovelos ou quase uma Miss Simpatia, ando descobrindo cada coisa!
Como estou exercitando o hábito em ser pontual, fui a primeira a chegar ao meu assento e fiquei aguardando quem seria a figura a sentar ao meu lado: Um homem bonito, um homem estrangeiro, um velho mal-humorado, uma mulher qualquer, um bêbado, um tarado, um folgado – pensando bem, os últimos 3 estereótipos só me surgiram em meios de transporte terrestre e mulheres, bem, eu não lembro quando houve uma mulher sentando do meu lado!
Acho interessante imaginar quem vai se sentar do seu lado pelas próximas 8 horas.
Eu não puxo assunto - juro! - mas eu devo ter cara de psicóloga, boa ouvinte, sei lá...

Eis que surge uma coroa, muito elegante. Logo vi que ela prestou atenção no meu livro de título suspeito– é, eu ando lendo alguns daqueles livros que falam sobre o comportamento feminino x masculino, e esse que estava comigo, era o pior deles! Destestei! Foi um besteirol qualquer sem fundamento psicológico ou com pesquisas que me levou R$20, !

Continuando...
Eu não dormi. Enquanto trocava de canal incessantemente para ver um bom filme, vim pensando na minha nova vida, nas providências que vou ter que tomar ao chegar em Barcelona, agradecendo à Deus em silêncio por conseguir voltar para Espanha tão depressa, as saudades dos papos noturnos com o irmão, o sentimento de felicidade de ver tanta gente na minha despedida.
A “estranha” - vamos chamar assim – vira e mexe observava o que eu fazia, o que eu lia, como eu comia e o meu jeito sistemático de arrumar a bagunça do meu lanche de vôo.
Eu já tava incomodada! Incomodada também com o casaco de couro que ela jogava por cima de mim e jogou a sua almofada de tal modo no meu assento que eu achei que ela ia pedir cafuné também.

Longas 8 horas.
-Você não dormiu? (Quem disse isso foi ela, óbvio, eu não puxaria assunto dessa maneira!)
-Não, estou ansiosa.
-Posso ver o livro que você está lendo?
-Sim.
-Você gostou?
-Pra falar a verdade não, achei muito boboca, mas tem um outro aí que eu andei recomendando pras minhas amigas com fossa...
- ...eu tô na fossa!

Bem, não precisa dizer que nos últimos 15 minutos de vôo eu já sabia as frustrações de uma mulher "bem sucedida" (termo usado no nosso mundo contemporâneo que nos dá abertura a particulares significados), de 41 anos, solteira, sem filhos, rumo à uma praia em Portugal.
E lá estava eu, com meus soberbos 22 anos, falando animadamente da vida tentando inspirar aquela mulher que eu achei de olhar triste.

Meu livro era tão ruim e eu com tanto ódio daquela autora medíocre, que eu ofereci - de graça - o livro pra tal mulher, ver se ela, tirava algum proveito.
Não "benhê", ela não quis o livro.

Conversamos mais algumas amenidades, enfretamos a fila da imigração juntas e ali no separamos. Para sempre.
Há gente cheia de manias do mundo, talvez eu desenvolva alguma mania de colecionar histórias de pessoas que passaram a viagem ao meu lado. E escrever um livro.

(Quem sabe eu não tiro uma grana com isso, vou pro Jô dar entrevista e em seguida, em uma noite de autógrafos, sou especulada a posar na Playboy...rs!)

Enfim...separadas. Eu entrei nesse enorme aeroporto de Lisboa e procurei uma nova estranha propositalmente para conversar.

(É claro que foi de propósito desta vez, estou decidida e me empenharei a ouvir histórias de estranhos e montar um livro! rs.
Sendo um pouco mais séria, eu estava empenhada mesmo em me safar de possíveis problemas no meu próximo aeroporto.)

Uma estranha com filha, vinha no mesmo vôo que eu desde Belo Horizonte e mora em Barcelona. Me disse tudo que eu precisava sem que eu tivesse que esperar para perguntar só no aeroporto de BCN.

A estranha com filha me disse muitas coisas sobre a cidade que vai ser meu novo lar. Me senti ainda mais confiante, e ela foi embora com um sorriso e a filha levada.
Antes de embarcar, ainda em BHZ, me surge uma moça simpática no balcão da companhia que simplesmente me libera de pagar os excessos de bagagem e levar meu quadro de fotos que estava fora da mala.
Sabe aquele dia em que você resolve ajudar um estranho, ser solícito, porque simplesmente te deu na telha? Acho que ela devia estar em um dia desses- e eu, com um pouco de sorte, porque pagar 150 euros de excesso... Ai!

A parte que eu gostei do meu vôo, de verdade, do fundo do meu coração, foi o jantar.
Assim que pedi para o comissário de bordo a minha opção, ele disse:
- Acabou.
-Ah moço! Você vai virar meu jantar agora, não mandei vocês me oferecerem meu prato preferido! (Simpática, claro! rs.)

Ele começou a rir.
Não precisa nem dizer que eu comi strogonof essa noite.

Bora lá! Partiu pra Barça agora."

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Retomando...!

Onde é mesmo que eu parei?
Março de 2010?
Bem, desde o vôo de volta ao Brasil para o vôo de volta à Espanha, foram exatos 5 meses.
Abandonei o blog, óbvio, porque o objetivo do blog é informar aos meus amigos - principalmente- o que se passa comigo quando estou longe, ou seja, a maior parte do tempo! rs
Como a excelência em colocar a vida de cabeça para baixo sou eu, não bastou voltar para o Brasil, eu voltei para Belo Horizonte. Mais ainda, pra casa dos meus pais!

12 de Maio foi maravilhoso, como há alguns anos não era: Aniversário da Babi e do Rafa, e... como eles! ! !

Enquanto empacotava as caixas e desfazia da minha casa em Búzios, cheguei a escrever sobre isso, mas não publiquei (desleixo, correria, argumentos contemporâneos) e ele receberia o nome de "Se eu soubesse antes, o que sei agora, erraria tudo exatamente igual..."

Segue abaixo, como parte do contexto da minha história:

"A mudança não é um acontecimento imediato.
Ocorre como um processo muitas vezes lento, de forma gradual e conta com fatores que influenciam quem está mudando.
Mudando de casa, mudando de vida.
Responder a uma mudança é responder a alguma demanda apresentada.
O meu coração e a minha vida profissional apresentaram a demanda que agora estou respondendo ao meio de tantas caixas de papelão: Voltar à viver em BH.
Os amigos me perguntam: Quando? Porque? É pra sempre?
Ah! Gente, o pra sempre não existe.
- E eu me vi uma pessoa mais feliz quando passei a aceitar com serenidade que o pra sempre não existe!

Uma única amiga me fez a pergunta certa: Por quanto tempo?
E a gente tem que aprender a conviver da melhor maneira nessa rollercoaster que é a vida: altos e baixos.

No próximo 25 de Junho, iria fazer 4 anos que eu saí de BH.
Nooooooooooooossa quanta coisa aconteceu.
E cada coisa que eu junto, ou jogo fora, carrega uma história.

Pior são os restos de perfume que circulam pela minha casa: Esse eu punha pra ir à Privilege, esse eu punha pra dormir, esse eu punha quando me encontrava com tal pessoa, esse era de eu ir trabalhar no Insólito. Cheiros, parecem nos matar as vezes não?

E digo mais, fazer mudança, é mais que organizar essas caixas infindavéis que estão saindo de Búzios, é cutucar lembranças, cutucar erros, acertos, é uma auditoria da vida.
Eu junto, paro, olho, lembro, revivo, olho outra vez, jogo fora ou boto na caixa pra levar pra BH.
O.K., essa também é a hora de fechar um ciclo, fazer um balanço e levar só o que interessa daqui adiante-tanto material quanto "imaterial".

O que interessa pra mim, também mudou diversas vezes nesses 4 anos.
O que me interessa agora é ficar perto dos meus familiares e dos meus amigos. Viver sozinha agora é OUT para Renata Eloá.
3 meses na Europa eu encarei meus medos, minhas dificuldades sem o fator que mais nos influencia nas nossas decisões: os mais próximos.
Foram férias. Estudei menos do que eu gostaria de ter estudado. Mas intercâmbio é assim, já tinham me avisado.
Nem tomei tantos porres como gostaria.
Descansei de mim, da minha vida no Brasil.
Fiz melhores amigos em 3 meses. Chorei com a perda deles como não chorava há muito tempo.
Uma sensação completa de abandono.

Voltou uma reciclagem da Renata: uma Renata mais sensível, porém mais sensata, mais ponderada, mais planejada, mais sistemática, mais metódica, mais analítica, mais calculada, mais empática.

Aprendi nesse vulcão todo que sobretudo, eu devo eliminar tudo que não me faz bem e que me desvio do foco. Joguei uma galera na lata de lixo. Goooooooo garbage!

Olhando para as minhas caixas, vejo a quantidade de cacareco que juntei e não sabia nem por onde começar a organizá-los: Onde é que vocês se enquadram?
Cada vez mais sacolas de lixo saindo da minha casa, eu estava feliz por eliminar tanta porcaria da minha vida.
E se livrar de maus hábitos é a pior parte: demandam treino, disciplina, ...força de vontade!
-Graças a Deus eu parei de fumar!
Há coisas que fico na dúvida, deixo pra embalar depois, algumas eu embalo agora.
E nisso eu vou me bem resolvendo.
Mientras tanto... estou escutando Engenheiros do Hawaii que AINDA ajuda a me acalmar. "

08/05/2010.

Já tem quase um mês que retornei à Espanha e já era hora de retomar o "Mineira de mala e cuia".
Bem, o layout vai permanecer o mesmo com essa foto aí de Paris até que eu dedique um tempo a entender de layout de blog. rs !
E-mails pessoais sempre serão muy bienvenidos e responderei com carinho e muita atenção... mas, como a falta de tempo é grande (argumento contemporâneo), vou adiantando as notícias do Velho Continente nesta página de internet!

Antes de finalizar o post, gostaria de colocar um trecho de uma obra de Paulo Coelho:

"A lenda pessoal não é tão simples como parece. Pelo contrário, pode ser uma atividade perigosa. Quando queremos algo colocamos em marcha energias poderosas, e já não podemos esconder de nós mesmos o verdadeiro sentido de nossa vida. Quando queremos algo, fazemos uma escolha do preço a pagar.
Seguir um sonho tem um preço, pode exigir que abandonemos velhos hábitos, pode nos fazer passar dificuldades e ter decepções.
Mas por mais alto que seja esse preço, nunca é tão alto como o que é pago por quem não vive sua lenda pessoal, porque estes um dia vão olhar para trás, ver tudo o que fizeram e escutar o próprio coração dizer " Desperdicei minha vida."
Acreditem, esta é uma das piores frases que alguem pode ouvir. "



Tenham todos uma ótima tarde!