Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os dias que se seguem sem computador

Esse texto foi escrito em uma Quinta-feira, dia 02 de Dezembro, em folhas de caderno já que, a falta de computador persistia.

"A verdade é que eu fiquei uns dois dias fora de área de cobertura.
Só levantei da cama para tomar um banho e ir para a aula.
E agora, as 4 da manhã ouvindo Engenheiros do Hawaii, resolvi apelar pro papel (é, pro papel, pois eu sigo sem computador).
Estou com muita raiva de estar sem computador. Não só porque tenho que ir na lan house que tem horário para fechar, mas porque deixei de fazer um trabalho por conta disso. O que me deixou furiosa de transmitir uma imagem de relapsa ao meu professor. Ou então, explico para ele meus problemas pessoais que tenho passado e ele me dá mais um prazo.

A falta do computador até que um mês depois eu não vejo como o mesmo grande problema que eu vi no momento: eu comecei a ligar mais pra Carol e ter conversas com as pessoas e já estou no meu 2º livro em espanhol! ("Saia da internet e vai ler um livro!". Um mês depois eu posso falar assim em vista que meu coração parecia que ia parar. Obra divina! Eu já estava começando a me controlar com o uso da internet, deletei meu FB por um tempo, respondendo mensagens pessoais só aos finais de semana, mas Deus quis que eu tivesse algo mais forte: PAU! O lap top deu PAAAAAAAU!

Haja valeriana para me aguentar!

Superada a fase de revolta inicial, comecei a contornar e me organizar para usar a internet extremamente o necessário.
Nesse interim descobri que o Twitter é "o melhor que tá tenu" que é só xingar a galera que eles te tratam bem (Banco Santander e a Dell que o digam!).

Voltando, as que me perca.
O pior das últimas semanas ainda não foi a parte do computador, foi a parte em que eu comecei a desconfiar que a parte feminina do casal que me alugava o quarto, estava com ciúmes de mim.

AFF! Mais essa pra minha cabeça tão cansada com já e só 23 anos.

Pensei em ir pro Brasil e voltar, e quando voltasse olharia com bastante calma um novo lugar para morar. Até que a criatura começou a me infernizar com atitudes infinitamente pequenas de implicância. Aí eu decidi que não podia perder mais um segundo e deveria começar a buscar um novo lugar pra morar tão rápido pudesse.

Lá vamos nós de novo: eu e meus 70 kg de bagagem que vieram do Brasil.

O estopim foi quando em um belo dia, a criatura que me dá ódio só de lembrar, chegou em casa, nem colocou suas bolsas no quarto e já foi chamando daquele jeito que toda mãe sai gritando as crianças quando chega em casa e tudo está uma merda.
Me perguntou em  um tom furiosos se havia algo me incomodando. "Pois é claro - eu respondi - o tom que você está falando comigo." Batemos boca sobre o modo como ela vinha se dirigindo a palavra e blablabla...
Mais a noite, a parte masculina do casal vem até mim e pede gentilmente que eu saia no dia 1º.
Desde dia em diante até o dia que eu saí, dia 28, eu só dirigi a palavra a ele e nem "bom dia" dava a ela.
O sujeito inclusive estava preocupado onde eu ia morar, como eu ia fazer. (Ele conversava mais comigo quando ela não estava em casa).

Como ia fazer???? Do mesmo jeito que fiz sempre desde que saí da casa da minha mãe a primeira vez: correr atrás, pegar as malas e FUI!

Dei graças a Deus que já tinha acertado com uma outra mulher, equatoriana que vive com a mãe e uma portoriquenha. Não é onde estou morando hoje, mas antes de me "expulsarem" eu já tinha ao menos, uma carta na manga.

Isso ocorreu por volta do 17/18, seguiram 10 dias sem eu sair do quarto para não cruzar com a despeitada. Só saía para ir a faculdade, fazer comida só se não tivesse ninguém na cozinha.

Estou morando duas quadras adiante. Moro com dois médicos peruanos que fazem especialização e uma colombiana que quase não a vejo.

No meio desse vulcão me aparece uma amiga que tava pevista para chegar, mas chega roubada e me mandam um e-mail dizendo que minha vó teve um AVC. OK! Ainda consegui estudar para as provas, por que isso eu fiz de madrugada com as minhas anotações em sala de aula. Agora, quanto ao trabalho sobre "Low Cost"... é, vou fazer algo pro próximo quatrimestre, algo para recuperar essa nota e decidi que não vou me estressar por isso. Porra! Não deu! Pronto! Paciência!.



Depois de reunir minhas forças e fazer minha mudança em um Domingo nublado de eleições catalanas, decidi ficar fora de área - como mencionei no início deste post. Mas... antes disso deixei uma mensagem simpática na geladeira me apresentando com um tom cômico que me restava e disse que se não me vissem não era porque sou anti-social, mas porque era uma semana de provas/trabalhos.

Até foi. Mas a mensagem foi um desculpa até eu voltar pro eixo.Passei 2 dias dormindo, só levantei para ir a aula.

No final do 2º dia, organizei os livros. No 3º dia, eu decidi fazer algo por mim mesma e fui fazer compras, sair do meu quarto sem medo das novas caras, fazer comida, organizar meu espaço na cozinha e ir pra faculdade.
Cheguei da faculdade e terminei de organizar e limpar meu quarto. Pronto, já tem minha cara. Vivo melhor assim, só não sei até quando."

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