Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Entenda porque me meto em presepada!

               Antes de escrever um post recheado de fotos sorridentes em Berlim - sim, essas fotos existem - gostaria de explicar porque me meto em presepada. É gente, isso tem explicação, é algo que vem de dentro para fora! Se fosse um título cult seria: Entenda o perfil de cada viajante. Contudo esse é um blog pessoal de uma profissional, portanto, não precisamos ater tanto a técnica que fica chato. Podem rir da desgraça alheia, eu sei que é bom, o post anterior foi o que mais bombou, SEUS FILHOS DUMA ÉGUA! Pimenta no fiofó dos outros é refresco, né?
               Pra começar, queria agradecer pelas orações enviadas, pelas orações recomendadas, pelos “meus pêsames”, mandingas, patuás sugeridos... mas, numa boa meus amigos (E MÃE), eu não vou parar de viajar. A falta de vergonha na cara e de dinheiro é tanta, que já comprei meu próximo voo com a mesma distinta companhia área low cost: Ryanair. No próximo mês, vou para o Marrocos. Sente a presepada! Portanto, se esse for um dos meus últimos posts, fiquem ligados: fui trocada por camelos.

Toda a positividade da viagem

               Tudo é relativo, meus caros. Pressupõe-se: Nada de bom me aconteceu na Alemanha. Concordo que tudo que deu errado realmente ficou mais em evidência pra mim, pra vocês, porém, nas minhas viagens nem tudo é desgraça né, minha gente? O show must going on  até a hora do check out no hotel e do check in do avião. Uma futura turismóloga tem que saber contornar o próprio psicológico para que tudo no final possa valer a pena . Aliás, qualquer viajante deveria fazer isso, no meu caso, é orgulho mesmo! Cê acha que vou viajar e não dar um jeito de ficar bom? Capaz!
               Sem mais, digo que valeu a pena visitar a Alemanha, depois da desgraça contada no último post, queria dizer de todo meu coração que a minha viagem valeu a pena. É, difícil de acreditar, eu sei. Pensem por outro lado...

Entendendo os viajantes

Me explico: O que é uma viagem boa pra você? O que é uma viagem boa pra mim? O que é uma viagem boa pro seu amigo?

“Uai, Renata! Cabo Frio, cerveja gelada e funk...!”
“Praia do Morro com a galera, certeza !”
“Sei lá, gosto de ir pra fazenda da minha vó lá em Conselheiro Lafaiete.”
"Quero conhecer uma vinícola no Sul do Brasil e andar na Maria Fumaça em Bento Gonçalves."

               Uma viagem ser considerada boa ou não, depende ainda de fatores subjetivos. No geral: “Voltar feliz da viagem, uai!”. Tá, mas o que tem que acontecer na viagem pra você voltar feliz? Cada turista busca no destino uma realização muito particular e que pode se assemelhar ou não ao de outras pessoas. Você já brigou com aquele amigão em uma viagem e não entende porque? Vocês são tão amigos! Pois eu já, creio que brigaria com outros mais se não tivesse a visão que tenho hoje e isso tem explicação científica. Alguns amigos já me ouviram dizer que só me torno verdadeiramente amigo de alguém depois de viajar com essa pessoa. Brinco também que sou sistemática, que não é bom viajar comigo. Não é bem assim (mas prepare-se para uma D.R. se me convidar para viajar! ha-ha-ha). Tenho um estilo de viagem muito próprio e tem gente que não entende. Tampouco meu blog está destinado a impor as pessoas que meu estilo de viajar é o certo. É o meu estilo de viajar, é o que supre as minhas necessidades como viajante e necessidade envolve valores subjetivos também.

Entenda porque me meto em presepada

               Galerê, chega agora a parte que mais me emociona, a minha melhor aula técnica em Mercado Turístico lhes repasso! Sou sistemática para viajar e ainda tem um cara que me defende! Maslow, um psicólogo americano, dizia em sua proposta que as necessidades humanas são dispostas em uma hierarquia, da mais urgente para a menos urgente. Essa teoria é colocada em uma pirâmide que busca compreender e explicar as ações e o comportamento humano. O “bafo” é que essa pirâmide é aplicada ao Turismo na escolha de um destino e na maneira de fazer uma viagem, vamos lá:

1ª) Comer, beber, pernoitar e como deslocar-se: Nem só de pão viverá o homem, mas em pé você também não fica se não tiver!

2ª) Segurança: Você vai viajar para o Iraque ou com a Líbia sendo bombardeada, meu amor?

3ª) Quem vai com você? O bonde, papis e mamis ou é viajante solitário?

4º) Psicológica: Cumprir suas expectativas.

5ª) Necessidade de auto-realização: Aí que o bicho pega mais ainda. A auto- realização vem de destinos que dão por si satisfação própria. A mim, apetece os destinos exóticos no meio do mato na Amazônia interagindo com população ribeirinha, a você pode ser Cabo Frio com a família. A mim, interessa também passar um dia inteiro no Vinobus em Logroño degustando vinho de adega em adega com direito à aula técnica, pra você isso pode ser chato. Enfim.

Um outro “cara bacana”, com nome de Plog, estudou isso a fundo no que se refere à mentalidade do viajante. Turistas são divididos em dois blocos, de forma não definitiva:

  • Psicocêntricos: o típico turista que não consegue sentir-se bem em uma destinação que não possua grande familiaridade com seu âmbito de residência, prefere não viajar grandes distancias e opta por não ter que enfrentar barreiras comuns aos turistas como diferenças lingüísticas, gastronômicas, climáticas, culturais, étnicas, sociais. Um exemplo é aquela família que possui uma casa na praia e desde sempre vai para esse destino nas férias.
  • Alocêntrico: este turista possui características típicas de um explorador (My name is Renata!), já que prefere as áreas não organizadas para o turismo, faz questão de não usar pacotes formatados comercialmente. A sensação de liberdade em sua viagem é primordial, boa parte do atrativo de suas viagens está no prazer de novas descobertas, com grande contato com o habitat local, nas várias atividades realizadas de modo autônomo, sempre com a infra-estrutura, a hospedagem, a gastronomia e os transportes típicos de localidade visitada. Ele vai mais além de uma prática turística, ele busca interagir com a cultura local.
               Esses perfis não são fixos. Pontuei os dois extremos como forma de visualização. Até porque, a questão econômica influi bastante e para chegar de um à outro, são doses graduais de ousadia. Dou-lhes um exemplo prático da minha vida: Quando tinha 14 anos, passava férias na casa da minha tia em Macaé (RJ) e me achava A desbravadora pagando uma van de 2 reais para passar o dia sozinha em Rio das Ostras (RJ). Foi assim até os 17. E mês que vem... é, mês que vem eu estou pegando um avião e indo pra Marrakech.

               O que quero dizer com toda essa “balela” é que ainda assim, a minha viagem para a Alemanha teve sua parte alegre (não tão alegre por se tratar de um país que carrega o fardo triste do holocausto), mas saciou  minha necessidade: foi intensa, intrigante, chocante e espiritual estar alí.

Por isso, digo sobre esse aspecto, tive uma boa viagem.



 
¡Vuelvo enseguida!


Esse post tem contribuíção dos conteúdos disponíveis de: Revista de Investigación en Turismo y Desarrollo Social http://www.eumed.net/rev/turydes/02/jgfc.htm

Um comentário:

  1. PLOG, ó jovem gafanhoto que me fez descobrir que sou alocêntrico.
    Fui muito bem nessa matéria na faculdade;

    concordo com você, e sou como você.
    Toda viagem tende a ser positiva, exceto em casos extremos. E no seu caso, foi também;

    estou adorando seu blog e ainda mais em saber que se parece comigo na hora de viajar, ainda sim teriamos uma D.R haha

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