Rio Senna, Paris/França - Janeiro, 2010

quinta-feira, 7 de abril de 2011

No "Brandenburg Tor" eu sentei e chorei.

              
              É como eu disse no post anterior: Escrever no calor do momento conserva a riqueza de detalhes. No meu caso, escrever no voo - em todos os versos em branco de papéis encontrados na bolsa – foi uma questão de saúde. Meu coração estava à mil. Tava igual aquele menininho de um vídeo feito pela irmã malvada que anda circulando pela net : "Eu vou ter um infarto do coração"! (Vejam esse vídeo!)

              Agora posso rir da minha própria desgraça: Já estou em Barcelona, dentro do meu quartinho. Seguem abaixo as 3 páginas escritas (de raiva) dentro do meu voo de volta:

Voando no céu Europeu, 6 de Abril de 2011

               Para o item má experiência em viagens, crio agora a escala Richter de abalos psicológicos. É minha gente, é a minha escala Richter! De 1 a 9, o abalo psicológico dessa viagem a Alemanha foi 10. Presepada não meus caros, estou falando de abalo psicológico: O abalo psícológico vai além do perrengue, além da presepada, é quando tudo dá errado em uma só viagem e você fica pensando porque a lei de Murphy é sua fã.
                Depois de mais stress que relaxamento, posso tirar uma lição: Agora mais do que nunca, senti na pele qual é a importância da excelência no serviço. Olha aí, quem trabalha no Turismo, que trabalha com o sonho alheio. Gostei sim de Berlim, mas volto pra Barcelona dizendo graças à Deus, sem aquela depressãozinha pós viagem que sempre me dá. Aconteceu tudo comigo e de uma vez só. Parafraseando Paulo Coelho, na calçada do Portal de Bradenburg sentei e chorei. Inacreditável, frustrante.
               Tudo começou quando comprei meu voo para o International Airport Magdeburg – Cochstedt. Fixem bem no INTERNACIONAL. Magdeburg é uma cidade perto de Berlim. No site do aeroporto INTERNACIONAL entrei para comprar meu shuttle para sair do aeroporto, seguir para a estação central de Magdeburg e de lá caçar meu rumo pra Berlim. Começo da tragédia: O site não dispunha de informação bilíngue, só informação em alemão! TÁQUEPARIU hein? Aeroporto INTERNACIONAL! Que não tem informação nem em inglês?
               A merda já estava feita, ou melhor... o voo já havia sido comprado. O que fazer? Como hoje em dia é muito comum as empresas utilizarem redes sociais, busquei o Facebook do tal aeroporto. No Facebook, uma alma boa me traduziu o suficiente do alemão para o inglês para que eu comprasse o shuttle para sair de lá. E me avisaram que “em breve” teria versão em inglês, dentro de dias. Tá, não me serve! Dá pra acreditar que eu fiz uma compra assim???? Recebo um voucher, lógico, em alemão, não consegui visualizar os horários disponíveis. Nessa de não conseguir visualizar horário, fuxiquei e traduzi o quanto pude : Descobri que só há um shuttle de ida e um de volta, por dia, para a estação principal (Magdeburg Hauptbahnhof)

Tão acompanhando??
  • Um aeroporto internacional que não tem informação disponível pelo menos em inglês;
  • Nem transporte regular (ou seja, perdeu um, pronto, foi o que aconteceu comigo hoje, na volta, que vou contar mais adiante).
               A minha chegada em Magdeburg já contei como foi no primeiro post. Depois da primeira noite em Berlim as coisas começaram a ficar boas, fiquei em um hostel barato que valeu a pena e fiz amizades. Na Terça-feira, no caso ontem, meu último dia na Alemanha, era o dia que mais ansiei desde que tinha começado a planejar a viagem: Havia comprado um passeio guiado sobre o 3º Reich. Senta que lá vem a história: Meu voucher de reserva SIMPLESMENTE estava com o endereço errado do ponto de partida da excursão. Estava com o endereço da empresa que organiza, ou seja, fui parar no escritório. Fiz a reserva pelo tão popular HostelWorld. Sem contar que o voucher veio sem a hora do passeio, tive que entrar no site outra vez para saber. Dá pra imaginar a cara de tacho que ficou a pessoa que me recebeu na empresa?

Um momento respeitável público, que rufem os tambores e contemplem a palhaçada:
O que você faria? Você cliente, louco para ouvir a história mais polêmica e nefasta da Alemanha, na própria Alemanha, a história que corre livros mundo à fora e uma empresa NEGLIGENTE, faz isso? Não sei se foi uma ou se foi a outra. FODAS. Eu quero escutar agora a historinha do malvado Hitler que estou aguardando semanas!

O cara tentou me acalmar, perguntou se eu não podia fazer no dia seguinte...

NÃO P O R R A MEU ÚLTIMO DIA AQUI É HOJE E VOCÊ PEGOU MEU SONHO E JOGOU NO CHÃO SEM DAR A MENOR IMPORTÂNCIA!

                Eu não gritei, juro, mas meu olho encheu de água em uma tal maneira que se ele não desse um jeito, eu ia fazer um barraco não sei em que língua. Que ódio, cara! Muito sem graça, o rapaz entrou em contato com o guia, me deu o endereço "certo" e um voucher me brindando com um tour grátis! Olha só! Surpreendeu esse, hein? Já comecei a rir quando vi que ia economizar 12 euros e podia gastar em cervejas mais a noite!
               O endereço que me deram é em frente o Brandenburg Tor, um dos símbolos de Berlim muito conhecidos, um lugar chamado “Academie del Küngste”. O lugar é tipo uma biblioteca, galeria de arte... eu entro feliz e com um voucher grátis na mão e... uma recepcionista me joga outro balde de água fria: “Não há grupos aqui dentro, eles se encontram em frente e vão para seus passeios”.

(Pronto, no Brandenburg Tor sentei e chorei. P U T A Q U E P A R I U ! Preciso benzer, isso só pode ser uma zica!)

               Não desistindo de fazer o passeio, liguei, sem brincadeira, 26 vezes para o guia até que ele me atendeu com zero simpatia e disse para me dirigir para a tal galeria, porque o grupo estava ali SIM! Entrei, passei pela mesma recepcionista, nem 50 metros atrás dela ao lado da lanchonete estavam o grupo.

(Dá pra imaginar quantos marimbondos já havia cuspido e quantos anos de vida meu coração perdeu só nessa uma hora de raiva/alegria/raiva/alegria? A recepcionista! A recepcionista não viu um grupo de 20 pessoas entrar com um guia identificado por um uniforme que faz isso todos os dias! Parece piada! Ou melhor, pesadelo me adéqua.)

               Aproveitei o passeio o quanto pude depois de pegar quase no fim a explicação histórica. As desgraças da Terça-feira, pararam por aí, GRAÇAS A DEUS, mas voltaram na Quarta-feira antes de eu ir embora. Na Quarta-feira, para finalizar a minha vinda a Alemanha, fui no campo de concentração e na hora de sair de lá... Uai, cadê o ônibus? Não era de 15 em 15? Com 20 minutos, eu já comecei a chorar, DE NOVO. Ha-ha-ha-ha-ha-ha
                Justo na minha vez ( e na de um monte de gente no ponto!) o ônibus demorou quase uma hora! Perdi o trem até Magdeburg, perdi o ÚNICO shuttle para chegar no aeroporto e comecei a ficar mais chorosa só de imaginar perdendo meu voo e ficando mais um dia na Alemanha. Chorei não foi só por isso não: eu tinha só 13 euros na carteira! #Comofaz?
                Chorei né? Porque a TPM é algo voraz no temperamento feminino, normalmente eu não choraria, mas esse mês em especial essa TPM resolveu me brindar com um golpe mais forte. Homem acha isso tudo um chilique, mas não é! Em outros tempos, eu ligaria o "fodas" e acenderia um cigarro. Nem fumo mais. Vou confessar que a minha maior preocupação não é exatamente o meu bem estar físico, mas o bem estar financeiro do cartão de crédito. Cada vez que dou uma patada dessa e sou obrigada a gastar mais dinheiro, já imagino a cara da minha mãe olhando pra fatura no Brasil. Como mencionei, tinha 13 euros na porta do campo de concentração. Realizei uma operação de saque no meu cartão do Brasil que nunca tinha feito na vida para ter pelo menos 100 euros. Até a hora do desespero, eu nem sabia que existia a possibilidade (Pra ser bem sincera, em algum momento preferi esquecer com essa possibilidade! É como cheque-especial, não faz parte do salário e é uma falta de controle pensar que faz!)

MÃE, TE AMO, PROMETO VERIFICAR HÁ QUANTO TEMPO OS AEROPORTOS EXISTEM PARA AS PRÓXIMAS VIAGENS!

               Eu paro de chorar rápido, na verdade eu choro nessas ocasiões o tempo suficiente que eu fumaria um cigarro e volto a pensar normal. Em uns 7 minutos já estava a tope com a criatividade pra dar um jeito de sair dali. Quando consegui chegar na Berlim Hauptbahnhof (lá eu fiz o saque inédito!) consegui pegar um novo trem para Magdeburg sem perder o bilhete que já havia comprado e de lá, bem, o jeito era pegar um táxi até o aeroporto INTERNACIONAL.
               Aliviada de pelo menos estar na cidade, o desespero vem quando não consigo me comunicar em inglês com o taxista! E o que estava ao seu lado, sabia mais ou menos, e começaram a discutir onde era o aeroporto que eu queria chegar. Prestem atenção: Nesta estação, os próprios taxistas não tinham certeza de onde era o aeroporto! Tá, qual a chance que eu tinha de ir embora da Alemanha ainda hoje? Uma só! Me meti dentro de um táxi onde o taxista não falava inglês e não entendia patavinas do que ele falava e íamos a base de sinais e GPS. Eu que pensava que estava ferrada: Conversei com um espanhol no saguão do aeroporto e ele me disse que o taxista levou ele para outro aeroporto porque não conhecia o tal aeroporto INTERNACIONAL. Isso não dá um livro, não dá um filme, dá um bom pesadelo.
               No meio do caminho, me dei conta do quanto o aeroporto era no meio do nada e já comecei a imaginar se o cara fosse mau e resolvesse me abandonar alí mesmo o que eu ia fazer. Ha-ha-ha-ha-ha-ha Não havia placas indicando nada até chegar em 15 km de distância. Não precisa saber alemão pra saber que eles não existiam!

Cheguei no aeroporto certo, AMÉM.

               Sendo sincera, essa é a grande armadilha da companhia aérea de baixo custo: A intenção ao trazer uma companhia aérea para um destino periférico a um centro urbano (no caso de Barcelona, há o aeroporto de Girona e de Berlim, há esse projeto de aeroporto!) é fazer com que a cidade se “desenvolva” e os viajantes usem os seus serviços. Se liguem: Quando busquei informações para sair do aeroporto (aquela lá no Facebook!) uma das pessoas que me responderam me disse que era possível dormir no aeroporto! Assim, de cara, não era nem se acontecesse um imprevisto, ou se eu estivesse cansada: DE CARA me ofereceram o hotel do aeroporto...  Nein, danken, eu não quero dormir no aeroporto, eu quero ir pra Berlim, POMBA!

Isso não é só uma análise minha, estudei isso em uma matéria que tenho que se chama "Transporte de Passageiros".

               Já no aeroporto, um alívio enorme me invade ao ver a cara simpática da mesma mulher de quando cheguei, aquela que estava organizando o shuttle na nossa tumultuada chegada. A propósito, tudo ok com a minha mala, coube de uma só vez no tal medidor deles (coloquei de pé, com rodas pra baixo pra ninguém reclamar!) e nada de taxas adicionais. Pedi o endereço eletrônico para reclamação por tudo que passei na ida. Quando eu pensava que finalmente estava livre, a mulher do raio - x, pára a minha bagagem e me diz que não posso levar os envases de líquido e que juntos eles somavam 1 litro, o que não era permitido:
First of all, sua ANTA:
  • Eu vim com eles da Espanha!
  • Segundo, o permitido para vôo são envases de até 100 ml, CADA UM, eu tinha 5 envases, da onde que ela tirou que são 1 litro?
Não, CERTEZA, ela me deixou passar porque se deu conta da gafe, não porque ela era bacana. Esses procedimentos, inclusive, são feitos ao contrário: raio-x primeiro depois medidor, já na porta do embarque...

Brincadeira, hein?
Fim da viagem, GRAÇAS A DEUS.

PS: Sim, eu vou fazer post felizes, com fotos, com meu prato pegando fogo no restaurante indiano... mas assim que eu digerir isso tudo!

6 comentários:

  1. Meu Deus, vc tava CAGADA DE ARARA!!! Isso nem é presepada, é azar e olho gordo mesmo, táqueopariu!
    Quero saber das coisas boas de Berlim, o que tem lá de legal..

    E nota: viajei só de Ryanair (só, apenas, exclusivamente) durante os 6 meses que tive em Portugal. Fui pra vários cantos, e nunca me aconteceu nada parecido, nem voo atrasado. No geral falo muito bem da companhia, da proposta dos voos baratos e do serviço deles. Só é preciso estar consciente de que a maioria dos aeroportos são periféricos, e estar preparado pra isso. Mas esse de Magdeburg é um LIXO ein! kkkk

    bjs!

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  2. em tempo: muito bom o título do post!

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  3. Ai amiga... vc e suas aventuras.... amo ler tudo o que você escreve... principalmente porque ao ler a gente sente como se vc estivesse perto falando.... tem horas que posso até escutar a sua voz! saudade d vc demais.... posta logo as fotos da alemanha! bjos, Ane

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  4. É, trabalhar com os sonhos das pessoas é realmente complicado.
    É veja bem o quão complexo né? Depende não só de nós turismólogos mas de hoteleiros, serviços de transportes, restaurantes, e até a infra-estrutura básica como placas indicando pra onde vou;

    é, ainda brincam quando digo que fiz Turismo na faculdade; haha.

    Adorei o post, boa sorte nas próximas viagens. Você ta precisando, estou te enviando muitas positividade daqui do Brasil; e ensina pra eles o nosso JEITINHO; pra que quando aconteça coisas assim eles tenham outra saída.

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  5. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...........você e tuas aventuras em guria...hahaha...saudades de ti viu?!! um tantão você me abandonou completamente...mas tenho acompanhado as tuas aventuras por aqui. Beijos linda saudades....e parabéns pelo blog está muito bacana. esse é o meu: www.thesanches.wordpress.com

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  6. Amiga do ceu.... Reza pra Nossa Senhora da Chapinha!

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